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    Essas mulheres maravilhosas e suas fotografias enigmáticas

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    Apostador de Loteria

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    Data de inscrição : 10/10/2009

    Essas mulheres maravilhosas e suas fotografias enigmáticas

    Mensagem por Apostador de Loteria em Seg Jun 28, 2010 2:50 pm

    Essas mulheres maravilhosas e suas fotografias enigmáticas

    Uma mulher não sabe olhar. Só vê seus sonhos. (Julio Cortázar)

    Existem dois tipos de homens: aqueles que entendem as mulheres e aqueles que preferem fazer alguma coisa mais simples na vida — como, por exemplo, ser cientista espacial ou amestrador de leões ou cronista. Mulheres também existem de dois tipos: aquelas que adoram ler uma crônica como essa e aquelas que odeiam.
    Particularmente difícil de entender nas mulheres é a sua relação com fotografias. Não sei se o leitor — homem, cabra macho pra danar — já foi incumbido alguma vez da árdua e inglória tarefa de publicar fotos de mulheres, seja no convite de formatura, no álbum de casamento ou mesmo num site qualquer da internet.
    Primeiro, se você pedir a uma mulher uma foto para colocar no mais despretensioso folheto que seja, ela vai lhe entregar não uma, mas duas fotos. Um homem só entregaria uma foto — e isso depois de perguntar se é mesmo necessária uma foto. Qual o significado de se apresentar duas fotos, eu deixo para aqueles homens que entendem de mulher responder. Eu posso apenas imaginar, literariamente e imprecisamente, que deve ter a ver com a personalidade sempre dividida das mulheres: entre mulher e mãe, entre pura e puta, dona-de-casa e mulher bem-sucedida... Mulheres simplesmente não sabem o que querem ser e apresentam duas fotografias, duas caras, duas máscaras, quando era necessária apenas uma.
    Segundo, você escolhe uma das duas fotos. Para o homem, trata-se de um problema prático: você tem duas fotos e espaço para apenas uma, então faz sua escolha baseado em critérios técnicos: disponibilidade de espaço, horizontalidade ou verticalidade, iluminação, adequação ao design do local em que a foto será inserida... Mas trata-se de um problema altamente subjetivo, uma verdadeira armadilha que a mulher preparou. Se o homem escolher a foto da pura, a mulher vai se indignar internamente, vai pensar que aquele homem não sabe nada da puta que tem dentro dela, do tesão quente e vermelho que corre dentro de suas veias, do que que ela faria com ele na cama se ele um dia tivesse o privilégio de deitar numa cama com ela, "mas você nunca terá esse gostinho, você me quer toda certinha, boa moça, vai ver é você que não dá no couro". Se ele escolher a foto da puta, o estrago não é menor, a indignação da mulher continuará, "você está pensando que eu sou uma mulher fácil, dessas que você encontra em qualquer esquina?! Seu safado, não sabe como tratar uma mulher!" Claro que as mulheres não vão dizer isso na sua cara — e vá perguntar por que àqueles que entendem de mulher. Mas a prova da insatisfação delas é que...
    Terceiro, elas pedem pra você mudar a foto. Se você escolheu a dona-de-casa, valendo-se apenas de critérios técnicos — eu insisto —, ela pede que substitua pela foto da mulher bem-sucedida. Até passa pela cabeça do homem reforçar a escolha técnica com elogios sinceros, do tipo "mas você está tão mais bonita na outra foto!". Mas mesmo que o homem dissesse isso, não adiantaria: "agora é tarde demais. Você não me reconheceu, você não conseguiu perceber meu outro eu, meu lado oculto, aquilo que é tanto eu, ou até mais, do que esse eu que todo mundo vê em mim". E a foto é trocada, mal sabendo o homem que cometeu, aos olhos da mulher, um pecado ainda mais mortal.
    Quarto, elas nos surpreendem mais uma vez. Quando você jura que está tudo certo, que ela já resolveu a briga entre suas duas metades, eis que a mulher aparece com uma terceira foto. A definitiva: "juro que é essa, não pedirei que você troque nunca mais". O que ela quer dizer é "eu lhe dei uma chance e você não aproveitou. Pra mim você está acabado. Eu não quero ser vista como a mãe da primeira foto nem como a mulher da segunda, eu quero que me percebam como as duas juntas, puta e pura, dona-de-casa bem-sucedida. Você não entende mesmo nada de mulheres". E não adianta você argumentar que a qualidade da foto está ruim, que a iluminação está fazendo sombra sobre seu rosto, que a perspectiva adotada pelo fotógrafo está deformando suas feições, que aquela foto não condiz com a beleza que você vê nela... Não adianta dizer nada disso, melhor nem abrir a boca. Aquela é a foto que ela escolheu, e você é mais um homem colocado fora da lista de homens sensíveis, educados, compreensivos, gentis, galantes, cavalheiros. Você é um nada, e aquela foto é tudo: toda a mulher, desde o seu nascimento até sua transfiguração (os que entendem as mulheres talvez possam confirmar que elas não morrem de verdade), toda a mulher, daquela que veste um short surrado àquela que deslumbra o baile com o vestido longo. Ela está certa, a foto é perfeita, você é que está errado, imperfeito.
    No final, aqueles que entendem de mulher, e que acompanharam todo o caso, ainda ficam rindo da sua cara. Enquanto os outros, aqueles que são como você, voltam simplesmente a cuidar de suas estrelas, de seus leões e de suas crônicas.

    Eduardo Loureiro Jr.
    Mestre-teia d'O Pátio
    e autor dos livros infantis
    "A Concha e a Borboleta" e "Redonda"




    Abraços,
    Apostador de Loteria.

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